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Vicente Chiaramonte Pires

O presente trabalho tem como objetivo analisar o endividamento das famílias brasileiras a partir da formulação de modelo empírico, que demonstre as relações de variáveis explicativas, relacionadas a diferentes faixas etárias da pessoa de referência da família, e a diferentes classes de posse de riquezas (ativos financeiros e não financeiros). Este trabalho apresenta inovação em relação à avaliação sobre os efeitos da postura dos indivíduos em relação ao fator risco, mantendo-se o controle sobre características destes indivíduos, além de analisar o papel da saúde das famílias. Outro importante elemento, neste trabalho, é o fator riqueza. O papel dos ativos financeiros e não-financeiros foi considerado ora como fator minimizador ora fator não minimizador do grau de endividamento. A base de dados foi obtida a partir da Pesquisa do Orçamento Familiar 2008-2009 (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do endividamento, a inadimplência em relação às despesas fixas e financeiras também foi considerada. Tanto o grau de endividamento como a inadimplência foram consideradas em relação à atividade ocupacional das pessoas responsáveis pelas famílias. A metodologia empírica utilizada foi do modelo logit dentro do enfoque da variável latente que trata o uso de variáveis dicotômicas, basicamente como um problema de medida, obtendo os efeitos marginais. As análises desenvolvidas apontaram que a propensão ao risco eleva o endividamento em até 1,42 p.p., quando comparado a indivíduos avessos ao risco. Em relação ao fator saúde, observou-se que, em presença de enfermidade, eleva-se em 3,22 p.p. o endividamento total, apontando que fatores de risco e a qualidade da saúde geram impacto no endividamento das famílias. Há, contudo, necessidade de se avaliar o efeito de políticas públicas sobre as famílias que, não recebendo atendimento de saúde adequado por parte do governo, têm seus gastos aumentados. As análises desenvolvidas apontaram que, o grau de endividamento é decrescente em relação à idade, por exemplo, a partir de 59 anos, este endividamento decresce 5,27 p.p. em relação aos jovens até 29 anos. As ocupações que revelaram maiores variações a respeito da presença de dívidas familiares foram todas na condição de empregados. Com relação à inadimplência nas famílias, os resultados estimados indicaram que, estão presentes com maior intensidade nas famílias de empregados privados, públicos, domésticos e por conta própria. O estudo permitiu constatar, ainda, a excessiva concentração de riquezas, em 25% das pessoas de referência das famílias, o que implica em maior comprometimento dos rendimentos das famílias mais pobres, enquanto que, os mais ricos não ultrapassam os 50% de relação entre dívidas e ativos.