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Rodrigo Monteiro da Silva

O debate teórico e empírico sobre os fatores que influenciam a dinâmica e o desempenho econômico de uma região há muito é discutido por pesquisadores tanto no contexto acadêmico como também por parte dos gestores públicos, dado o impacto direto e indireto que esse fenômeno tem sobre a qualidade de vida da população. Em função disso, há uma não desprezível quantidade de estudos que abordaram o tema por distintas vertentes, enfatizando determinado conjunto de variáveis. A partir desse contexto, o objetivo da presente tese é contribuir para esse campo de estudo analisando três fatores que, ao longo da evolução do pensamento econômico na área de crescimento, mostraram ter influência sobre esse processo, a saber: empreendedorismo, cooperativismo e a gestão fiscal. No primeiro capítulo da tese, será abordado a relação entre empreendedorismo e crescimento. O empreendedorismo é objeto de estudo em diversas áreas do conhecimento, tendo a economia realizado contribuições expressivas nessa área em função da quantidade de pesquisadores que se dedicaram ao tema. O motivo pelo qual alguns economistas mostraram tal interesse é por acreditarem que o empreendedorismo é um fator relevante para a economia de uma região, seja pela inserção de inovações no sistema, gerando maior eficiência e maior competitividade, ou por ser uma alternativa de geração de emprego e renda. Por essa razão, trabalhos no contexto internacional procuraram verificar se essa relação de fato se verifica mas, no Brasil, no entanto, ainda é escasso o número de pesquisas que realizaram essa análise levando em consideração o comportamento espacialmente dependente desse processo. O segundo capítulo se propõe a analisar, por sua vez, sobre as cooperativas e sua influência para a melhoria no desempenho econômico do setor agropecuário. A cooperativa, esse modelo de organização baseada nos interesses coletivos, desde seus primórdios tem tido um importante papel para a melhoria econômica e social de regiões onde existem demandas não atendidas, seja em termos de condições de trabalho, acesso a mercado consumidor ou recursos financeiros. Da mesma forma, analisando o seu impacto sobre a produção agropecuária nacional, as cooperativas tem mostrado que são capazes de melhorar o resultado da produção desse setor, o que tem sido evidenciado em pesquisas nacionais, principalmente as que analisaram esse efeito por meio das cooperativas de crédito. Dentro desse cenário, e pela ausência de trabalhos que abordem o fato de que a existência das cooperativas em uma região, ou como abordado na tese, uma maior concentração de cooperados, tem um impacto local sobre a produção agropecuária brasileira, o capítulo objetiva, mediante dados do censo agropecuário de 2017 e a metodologia de Regressão Ponderada Geograficamente, avaliar se de fato tal relação é verificada. Por fim, no terceiro capítulo, o objetivo foi verificar como a qualidade da gestão fiscal pode melhorar o desempenho da economia, dado que ela tem o potencial de afetar de forma direta e indireta o desempenho econômico de uma região. Pesquisas ao longo das últimas décadas tem abordado esse tema considerado o papel do Estado com um agente regulador e também como um agente interventor. Para o segundo caso, a abordagem utilizada para construção do debate é se os gastos públicos podem ou não impactar a economia de um país. No entanto, uma forma alternativa de analisar o assunto é considerar como os recursos são administrados, ou seja, se existe ou não eficiência na gestão dos recursos públicos, dado que esse elemento vai garantir para uma região maior estabilidade política, macroeconômica, além do potencial de atração de investimentos e novos negócios. Dessa forma, o capítulo intentou verificar se os municípios brasileiros em 2019 com uma excelente gestão, medida pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), tiveram um melhor desempenho econômico em comparação aos que não possuíam esse nível de gestão por meio da abordagem metodológica do Propensity Matching Score (PSM). As três variáveis chaves de cada capítulo foram selecionadas pois fundamentam algum componente do debate sobre crescimento econômico, tanto pelo aspecto do debate teórico como também as preocupações empíricas de se obter, de fato, alguma medida numérica estimada de seu efeito sobre o crescimento. Os resultados obtidos para cada um dos capítulos mostram que o empreendedorismo, em todos os modelos empregados, impactou positivamente o nível econômico nacional, elevando em 1,18% o seu PIB per capita para cada 10% de aumento no índice de empreendedorismo. Já no segundo capítulo, se observou uma dependência espacial do desempenho econômico do setor agropecuário, seja em termos globais ou locais, e que além dos fatores terra, trabalho e capital, as cooperativas, representadas pela quantidade de cooperados por microrregião, impactaram positivamente os resultados do setor, mas apenas na região sul e em porções do sudeste e centro oeste, enquanto que em algumas microrregiões dos estados do norte esse efeito foi negativo sobre o desempenho econômico. Por fim, municípios com uma gestão fiscal excelente tiveram um PIB per capita, em média R$ 7.015,58 maior do que os que não tinham uma gestão excelente.