Emílio Carlos Soverano Impissa

A produtividade do trabalho constitui um dos principais motores do crescimento econômico, especialmente em países em desenvolvimento como Moçambique, em que o uso eficiente dos recursos produtivos ainda é limitado. Dentre os fatores que afetam a produtividade, o acesso financeiro destaca-se por sua relevância ao viabilizar a realização de investimentos, a adoção de inovações e a expansão das operações empresariais. Nesse contexto, esta tese tem por objetivo analisar a relação entre o acesso financeiro e a produtividade do trabalho em Moçambique, a partir de uma abordagem empírica baseada em dados das Pesquisas Empresariais do Banco Mundial para os anos de 2007 e 2018. Para efeito, a análise é feita por meio do procedimento econométrico com variáveis instrumentais. Os resultados revelam que a relação entre acesso financeiro e produtividade varia conforme a fonte do financiamento. Tanto nas estimativas agregadas (financiamento interno e externo) como nas desagregadas (capital de giro e investimentos em ativos fixos, tanto interno e externo), o financiamento externo apresenta em todas estimativas, uma associação positiva com os ganhos de produtividade, enquanto o financiamento interno está relacionado a efeitos negativos, ambos estatisticamente significantes. Com relação às demais variáveis, constata-se que, o uso de websites, a participação estrangeira, e em parte os insumos importados e exportação mostram-se positivos e estatisticamente significantes, sugerindo que fatores estruturais e tecnológicos influenciam a produtividade. O estudo pode contribuir para a literatura ao abordar a produtividade sob uma perspectiva microeconômica, tradicionalmente negligenciada em estudos sobre Moçambique. Ademais, fornece evidências empíricas que podem subsidiar a formulação de políticas voltadas ao fortalecimento do ambiente de negócios, destacando a importância do financiamento externo, como fator impulsionador da produtividade no país.